Poemetos

Naufrágio
O seu colar de miçanga,
Usado pra ir à missa,
Perdeu-se ao pular a sanga.
Rosário também caiu,
E o véu e a rosa, no rio.
Foi-se o favo de melissa,
Ao desprender-se a fivela,
Soçobrou também a vela,
À sua santa destinada.
Tudo no rio. Sobrou nada.
 
Chuva
A chuva tamborila sobre a telha,
E bate secamente enquanto molha,
Escorre, esvai e estoura como bolha,
Na terra que virou lama vermelha.
 
Sol
O sol desce do céu e aquece a moça,
O seio, o braço, a volta do pescoço.
Meu traço enamorado faz o esboço,
Da curva sinuosa da sua coxa.
 
O sol, indiferente, tudo aquece,
Areia, mar e a moça que se esquece.
Eu penso: Se eu pudesse ser o sol,
O dono dessa luz branca e ardente,
Então também seria indiferente.
 
Vento
Este sussurro que se espreme pelas frestas,
Este zunir, um silvo de serpente,
Este ranger de dentes, essa orquestra,
Este zumbido inquieto, este lamento,
Não é nada. É só o vento.
 
Mar
O turbilhão,
Na praia onde eu estou recua, avança,
Sobre os meus pés, e mais além alcança,
Os pés de mais alguém, em outra terra.
É o mesmo mar, mas isto não encerra
Uma lição.
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