A taça e a Vela

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Frente a frente sobre a mesa estão a Taça e a Vela.

A Taça, cheia de graça, ostenta-se transparente. A Vela brilha silente, tremula a chama amarela.  A Taça, volume cheio, e a Vela, figura tesa. A Taça bebida a meio e a Vela, de muito acesa. Enquanto uma leva o vinho a outra mostra o caminho, frente a frente sobre a mesa. A primeira já lá estava a decorar o ambiente. A segunda, reluzente, recém pousada dizia do vinho que a preenchia. Com seu olho flamejante, que a tudo e todos devassa, a Vela olhou para a Taça numa ameaça contida.

– Que fazes aqui, perdida, com teu conteúdo profano? – Interpelou-a em tom frio.

– Comemoro o Novo Ano! Mas, e tu, que tola ideia de queimar o teu pavio!

– Nem sempre se acendem velas por causa da escuridão! Embelezo o ambiente…

– Perdoa, penso que não! Com tua cabeça quente vais incendiar o salão!

– Serei eu quem se embriaga até perder a razão?

Mas enquanto sucedia tal disputa sobre a mesa, alguém (o dono da taça?) aproximou-se à francesa e dela (a taça) sorveu a bebida que trazia.

– Desgraça! – Zombou a Vela – Perdeste, duma só vez, o vinho e a companhia!

Porém, enquanto pousava, a taça, agora vazia, quis o azar que uma gota lhe escapasse, derradeira. Caiu, marota, e alojou-se na ígnea cabeleira. E assim morreu a querela: O vinho apagou a vela.

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Publicado em 31 de março de 2016, em Dia a dia. Adicione o link aos favoritos. 3 Comentários.

  1. Nossa, que legal! Gostei da imagem e do poema!!! bjs Mario

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